sábado, abril 15, 2006

Da virtuosa blogação, ou os mandamentos do bloguismo

Actualizações constantes, combinação adequada de texto, imagens e som, utilização sistemática de hiperligações, interactividade com o público destinatário - quantos são os bloguistas que procuram de forma metódica explorar o potencial do utensílio que têm em mãos?
A verdade é que em regra os bloguistas não conhecem o seu público, nem o que têm nem o que poderiam ter, e nem sequer lhes ocorre essa preocupação. Todavia, conhecer esse público, identificá-lo, entender a sua composição, as suas motivações, os seus interesses, os seus gostos e insatisfações, seria crucial para o bom sucesso da empresa.
Certo é porém que para além da intuição, de algumas impressões, do feed-back que exista, são escassos os instrumentos para alcançar essa finalidade.
Recorre-se aos contadores de acessos, verificam-se o número de visitantes e de visitas, observam-se as páginas que agradaram ou que ficaram na indiferença, seguem-se os desabafos dos comentadores, mantém-se um olho no blogómetro - objecto fundamental para nos medirmos com o próximo, e o próximo nos medir a nós, segundo critérios democráticos - e tudo isto deixa-nos com uma ideia imperfeita e insatisfatória do que se pretendia saber.
Um conceito ficou entretanto esquecido na poeira do passado: que um blogue seja por natureza algo de pessoal, no sentido de íntimo, particular, do autor para consigo mesmo. Que seja pessoal é sempre possível (este, por exemplo, é-o sem dúvida, na acepção de que é apenas da responsabilidade de quem o faz, e exprime tão só pontos de vista, pensamentos ou posições próprias, que não vinculam mais ninguém nem têm a pretensão de representar mais do que a expressão individual do autor). Todavia, que é feito para os outros e que possui por isso um público destinatário, mais ou menos definido, isso também parece ser um ponto que ficou assente pela experiência da vida da blogosfera. Um blogue é um meio de comunicação, com emissores e receptores, logo com mensagem, estando já longe o tempo em que se falava de um "diário em linha" como se se ficcionasse uma forma diferente de manter um diário, no mais idêntico ao que se escreve solitariamente em monólogo interior e se guarda à chave na gaveta do quarto.