segunda-feira, setembro 20, 2004

O povo é quem mais ordena

Manda o filho, manda o pai,
Manda a sogra, manda a nora.
Manda o bébé que na mão
Faz chichi e deita fora.

Manda até o nascituro
Que por não ter a visão
Do futuro
Ainda não chora.

Mandas tu e mando eu,
Tanto aqui como em Viseu!
Só para isto nascemos!
Para mandar uns nos outros
Enquanto somos e temos,
Que depois da vida ida
Arrefecemos...

Quem pára nesta corrida?
Quem não colou um cartaz?
Quem não listrou as paredes
Com essas letras que vedes
Fazendo guerra da paz?

Quem não sujou o país?
Quem não se disse feliz,
Não se babou de contente
Por não ter na sua frente
Nem correcção nem juíz?

Quem não gostou um momento
De tirar a própria fralda,
Com ela acenar ao vento
E gritar com todo o alento
Que o bom é viver à balda?

Manda o filho, manda o pai,
Manda a sogra, manda a nora.
Manda o bébé que na mão
Faz chichi e deita fora.

Manda até o nascituro
Que por não ter a visão
Do futuro
Ainda não chora...

Fernando de Paços
(...para não dizerem que aqui o Manuel só destaca poetas alentejanos hoje levam de presente um do Alto Minho)